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Asfixia Erótica

 

A asfixia erótica é a restrição intencional de oxigenação cerebral, com intuito de excitação sexual.

Como dito anteriormente, a privação de oxigênio no cérebro pode levar tanto a tonturas quanto ao prazer (muitas vezes ambos diretamente ligados um ao outro), e o estado de hipóxia – baixa oxigenação – associado a alterações hormonais, como aumento de dopamina e beta-endorfinas, cria um estado semialucinógeno, mas ainda lúcido que, combinado com um orgasmo, a “onda” é considerada tão poderosa quanto cocaína, o que explica o “vício” que os adeptos desta prática adquirem em pouco tempo.

Segurança

Como será visto abaixo, asfixia erótica não é uma prática segura, mas com os cuidados devidos, pode ser praticada sem grandes acidentes. No entanto, é recomendado – obrigatório, eu diria – que os praticantes saibam, ainda que de forma básica, realizar a Reanimação Cardiorrespiratória (a famosa RCP). Caso não saiba, existem muitos sites que ensinam, com imagens, esquemas e vídeos. Também pode ser aprendido em cursos de socorrista, geralmente ministrados em hospitais da Cruz Vermelha, Corpos de Bombeiros, escolas de enfermagem e até mesmo em grupos de escalada e rapel pode-se ter boas direções sobre o assunto.
Se você não tem a menor noção de como fazer, ou não tem segurança para fazer o RCP caso seja necessário, não pratique asfixia por enquanto. RCP feita errada pode ser fatal!
Outra coisa sempre válida de se ter por perto e/ou decorados, são os telefones de emergência locais. Os números gerais de polícia, serviços de atendimento móvel emergencial e bombeiros são os mesmos em todo o país.

Polícia – 190
SAMU – 192
Bombeiros – 193

Quais posso – ou não – fazer?

Como foi visto aqui em cima, asfixia é um impedimento da oxigenação e pode ocorrer de várias maneiras, mas como trazer isto de forma consideravelmente segura para o BDSM?
A asfixia erótica pode ocorrer de quase todas as maneiras descritas, sendo as mais comuns a esganadura, a sufocação direta e o estrangulamento, tanto como práticas avulsas quanto durante atividade sexual.
Em situações de role play mais intensos o afogamento e o confinamento também ocorrem com certa frequência. Em práticas como o trampling, um nível bem baixo de sufocação indireta pode ocorrer, devido à pressão sobre a caixa torácica.
Em raríssimas ocasiões, o enforcamento pode ocorrer, mas requer cuidados altíssimos.

Soterramento e asfixia por monóxido de carbono não devem JAMAIS ser sequer cogitados, devido ao alto risco envolvido. Soterramento pode provocar uma severa obstrução não planejada e não controlada das vias aéreas, e monóxido de carbono causa envenenamento, por ter efeito cumulativo no organismo a curto prazo, podendo levar a vertigens, dores de cabeça e mal estar em baixas quantidades, convulsões e coma em níveis de aproximadamente 50% de carboxihemoglobina (união do CO com a hemoglobina) e qualquer quantidade acima disso é potencialmente letal.

Curiosidade: Monóxido de carbono era usado nos campos de concentração nazistas para eliminar os alemães “indignos de viver” (deficientes em geral).

Como fazer?
A asfixia é um processo em que pode-se distinguir 4 fases: Cerebral, Excitação ccortical e medular, Morte da respiração e, por fim, Cardíaca.

Na primeira fase, ocorrem as perturbações mentais como vertigens, visão ofuscada, zumbidos, aceleração do pulso, angústia, comportamento agressivo, incapacidade de seguir ordens e perda de consciência em 30 segundos.
Na segunda fase, ocorrem a ejaculação involuntária, eliminação de urina e fezes, hipermnésia (atividade acelerada da memória), redução na percepção de dor. Nesta fase, a exaustão sofrida pela pessoa na fase 1 é aumentada.
Na fase 3, a taquicardia dá lugar à bradicardia (redução nos batimentos cardíacos), movimentos respiratórios cessam. Esta fase tem duração variável de 1 a 2 minutos.
Na última fase, os batimentos cardíacos ficam irregulares, cada vez mais fracos, até a parada completa em diástole (relaxamento das câmaras do coração).

Como um conselho pessoal, não indicaria a ninguém a passar da fase 1, ou seja, manter todo o jogo no máximo até a pessoa estar próxima da perda de consciência, nunca depois.

Sufocação Direta – O Top utiliza as mãos para tapar as narinas e a boca do bottom, impedindo que o ar entre no sistema respiratório. É mais seguro pelo fato do bottom ter a possibilidade de forçar e abrir um pouco a boca para respirar. Costuma ser mais incômodo pela restrição do movimento natural de abrir a boca na falta do ar pelo nariz, aumentando o fator emocional, tornando esta uma forma bastante eficaz de asfixia. Isto também pode ser feito com outras partes do corpo como na prática do Facesitting, ou com objetos que não privarão completamente a respiração, mas a tornarão muito mais difícil, como Corsets de boca (e nariz), ball gags (que aumentam o risco de engasgo), over the mouth/nose gags, etc.

Esganadura – O Top utiliza uma ou ambas as mãos, braço (s), antebraço, pé (s), perna (s) ou qualquer outra parte do corpo para pressionar a traqueia do bottom e impedir a passagem do ar. Em algumas situações, as artérias carótidas também podem ser pressionadas acelerando o processo de hipoxia cerebral.

O próximo item tem como objetivo comprimir a caixa torácica de modo que a expansão pulmonar não seja completa, tornando a respiração cada vez mais difícil.

Sufocação Indireta – O Top utiliza o próprio peso corporal – ou de algum objeto – para pressionar o tórax (peito) do bottom, Isto reduz a área de expansão do pulmão, alterando a pressão inversa que ocorre para que o ar entre livremente. Também pode ser feito expandindo a compressão até a região do diafragma, potencializando ainda mais a capacidade de asfixiar desta técnica

Confinamento – O Top restringe o “ar respirável” do bottom em um ambiente lacrado, ou pode restringir o bottom em um ambiente lacrado. A respiração propriamente dita não é impedida, mas a quantidade de oxigênio no ambiente reduz a cada respiração, aproximando o bottom gradativamente da asfixia. Esta prática pode acontecer com o uso de máscaras de gás, caixas lacradas como “aquários” vazios, sacos plásticos, máscaras e capuzes tipo Gimp ou de latex, e até mesmo mumificação, camas e cubos de vácuo.

Afogamento – O top submerge a cabeça do bottom em um balde d’água, banheira, piscina, mar, etc. por alguns segundos e puxa, dando tempo do bottom respirar algumas poucas vezes antes de repetir o processo todo. Uma forma mais branda dessa prática consiste em cobrir a face do bottom com uma toalha e despejar água sobre o nariz e boca, dando uma falsa sensação de afogamento, mas muito mais segura que a submersão.

Estrangulamento – O Top utiliza uma corda, garrote, cinto ou qualquer objeto que funcione como um laço e aplica a força para que este objeto atue pressionando a traqueia. Esta prática deixará marcas praticamente em todas as vezes que for executada, pela fricção do objeto com a pele.
Fora do BDSM isto é visto em filmes de espionagem onde se usa um fio para isso, chamado garrote.

Enforcamento – O Top prepara um laço em torno do pescoço do bottom e fixa o laço em algum suporte acima do bottom, erguendo o corpo deste o suficiente para que o peso do corpo exerça a pressão no laço e comprima a traqueia. O corpo não precisa estar totalmente erguido para que o efeito desejado ocorra. Este tipo de asfixia deve ser feito SEMPRE com uma amarração que utilize nós de soltura rápida (quick-release) e, assim como toda prática com bondage envolvido, deve-se sempre ter um objeto cortante SEM PONTA, por favor, (preferencialmente uma tesoura ou alicate) que seja capaz de cortar facilmente o material utilizado para a prática.

Asfixia Autoerótica

É uma forma de asfixia autoinfligida. Geralmente fazendo uso de cordas ou cintos para enforcamento, sacos plásticos para confinamento, fita adesiva para sufocação, afogamento. É também a maior causa de fatalidades autoeróticas (90%) dos casos, sendo os outros 10% relacionados a eletrocutamentos, inserção de corpos estranhos, queimaduras ou cortes. Pelas estatísticas, os acidentes ocorrem majoritariamente com homens, mas desconfia-se que a quantidade de mulheres também seja grande, mas não se pode ter certeza devido a alterações constantes nos locais, geralmente feitas pela família por motivos diversos, incluindo a vergonha.
Existem vários casos famosos, sendo o mais conhecido de todos, o caso do ator David Carradine (Kung Fu, Kill Bill), que foi encontrado no quarto de hotel, enforcado.
Para este tipo de prática, é altamente aconselhável o uso de um Spotter (um amigo ou parceiro que possa vigiar e resgatar prontamente caso algo dê errado).

Autor Marister Souza Santana

Blogueira, master trainer, empresária, coach sexual e profissional capacitada em saúde e educação sexual, ceo da Bebela Lingerie.

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